Comunidade na Serrinha celebra poder das águas e pede que terreno não seja utilizado para capitalizar BRB
A comunidade da Serrinha, incluindo líderes de religiões de diferentes denominações que vivem no local, protesta contra decisão do governo do Distrito Federal que envolveu o terreno para capitalizar o BRB, em crise desde que investiu no Banco Master.
Inclusive, o juiz Carlos Frederico Maroja concedeu tutela de urgência e proibiu o GDF e o Banco de Brasília (BRB) de utilizarem a Serrinha do Paranoá para capitalização do banco. O governo entrou com recurso para reverter a decisão judicial.
Na comunidade, no último final de semana, o Festival das águas celebrou um encontro da juventudes e da cultura local. No evento, foi celebrada a ancestralidade de quem mora ali.
O evento, marcado pela defesa dos territórios, lideranças, jovens e representantes de povos originários, teve a apresentação de um bastão cerimonial, recebido no início dos anos 2000 de um cacique Xavante.
O artefato foi trazido a público, pela primeira vez, como sinal da gravidade do momento e da resistência local na guerra, global, movida pelos mesmos atores e alianças de destruição que atuam no Oriente Médio, Américas e na Serrinha do Paranoá, reforçando que a resistência local é onde se encontra a possibilidade de reconstrução de um novo mundo.
Defesa
Para a deputada federal Erica Kokay, a região é ameaçada pela especulação e exige defesa das águas, das nascentes e da vida, que não são mercadorias. Ela destaca a interligação das nascentes, a importância da mobilização social e institucional e a necessidade de proteger a Serrinha, o cerrado e suas expressões vitais contra a destruição.

Deputada Érica Kokay e Babá Aurélio | Foto: João Delattre
“Nós queremos as nascentes, nós queremos a vegetação, nós queremos essa trama de vida ou nós queremos a impermeabilização do solo? ou nós queremos assorear os lagos, acabar com as nascentes em função da construção de imóveis de luxo?”, questionou
O diretor de revitalização de Bacia Hidrográfica e política de segurança hídrica do Ministério de Integração e Desenvolvimento Regional, Nelton Miguel Friedrich, afirmou que a região já tem um diagnóstico ambiental com 106 nascentes.
Está em curso também o plantio de 22 mil árvores. “O próximo passo é recuperar as nascentes, matas ciliares, ampliar práticas conservacionistas para cuidar do solo e aumentar a capacidade de economia solidária de bioeconomia de desenvolvimento sustentável no território. A água é primeira vítima da mudança climática”, diz

Da esquerda para direita: Elianildo Nascimento, Luiza Oyapock, Maíra Fernandes de Melo, Mírian Brito, Renata Bernardina, Maicon Brauna, Salette Aquino, Sol Udry, Biah Gasparotto, Demetrios Christophidis, Nelton Friedrich e Solange Sato | Foto: João Delattre
Rituais
Um movimento por parte da comunidade foi a bênção das águas ancorada na ancestralidade, conduzida por duas indígenas, seguida de um cortejo, até o córrego do Urubu, que nasce na Serrinha do Paranoá e juntamente com o córrego do Varjão, abastece o Lago Paranoá.
Um momento de vibração espiritual, de ritmo intenso, acompanhado por toques de tambor, chocalho, passes com fumaça e um convite para os presentes colocarem os pés nas águas do córrego.

Benção das águas no Córrego do Urubu com Naiara e Damelis Castillo | Foto: João Delattre
Por João Roberto Delattre
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira




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