Governos e ONGs buscam reduzir impactos para pessoas em situação de rua após privatização da rodoviária
Mais de um ano depois da privatização da Rodoviária do Plano Piloto, no Centro de Brasília (DF), e proibição de permanência de pessoas em situação de rua no local, representantes do governo federal e do Distrito Federal e também de organizações não-govern
Cercanias da rodoviária são espaço para pessoas de situação de rua. Foto: Agência Brasília A pesquisadora Dayanne de Mendonça entende que mudanças urbanas desse tipo precisam considerar também o impacto social, especialmente sobre trabalhadores informais e pessoas em situação de vulnerabilidade que dependem desses espaços para sobreviver.
Avaliação
A pesquisadora avalia que o governo federal desenvolveu e acompanha políticas públicas voltadas à população em situação de vulnerabilidade social, com ênfase no monitoramento e avaliação dos indicadores de saúde.
Segundo ela, o governo tem discutido alternativas para minimizar os impactos da retirada dos camelôs. “Entre as possibilidades, está a de realocação desses trabalhadores para outras áreas comerciais autorizadas, processos de formalização para quem desejar trabalhar legalmente como ambulante e a inclusão em programas sociais e de qualificação profissional”, afirma.
A ideia, segundo a pesquisadora, é oferecer caminhos para que as pessoas possam reorganizar suas atividades e garantir novas fontes de renda.
“Diante dessa tentativa, não é garantia que todos consigam se formalizar”, disse. A especialista também lamentou o crescimento da quantidade de pessoas em situação de rua.
“Para além disso, o Ministério da Saúde atua para a população de rua principalmente através da ampliação das equipes de Consultório na Rua (que tem meta de 600 equipes no Brasil até 2026), oferecendo atendimento itinerante de saúde”, acrescentou a especialista.
O governo do Distrito Federal, por outro lado, argumentou que atua para minimizar os impactos da privatização da rodoviária. Desde março de 2024, segundo foi divulgado pela imprensa, o secretário da Casa Civil, Gustavo Rocha, disse que o governo tem ações contínuas e diárias na rua.
O 2° Censo Distrital da População em Situação de Rua do DF estima que cerca de 3.521 pessoas vivem em situação de vulnerabilidade no Estado, um aumento de 19,4% desde a última pesquisa realizada em 2022.

Fonte: Censo Distrital da População em Situação de Rua do DF
Situação agravada
Uma das ONGs que tem atuado para minimizar os impactos sobre os mais vulneráveis é a ONG da Rua. Segundo a presidente da entidade, Anna Carolina dos Santos, a situação ficou mais agravada após o período de pandemia.
“Antes da pandemia, já havia um número considerável de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, e devido ao cenário do país, onde tudo estava fechado, muitas pessoas perderam emprego e renda”.
A partir disso, foi necessário ampliar a entrega de mantimentos. As entidades que também abrigam pessoas em situação de rua têm recebido pessoas diariamente. “São homens, em sua maioria negros, entre 29 e 35 anos de idade”, afirma Anna Carolina dos Santos. A ONG funciona integralmente com apoio de doações de pessoas ou empresas.
Por Duda Barreto, Isabel Villela e Mariana Mazzaro
Supervisão de Luiz Claudio Ferreira e Vivaldo de Sousa



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