Flagrante de queima de lixo em museu do DF levanta suspeitas
Flagrante de incineração irregular de resíduos no Museu Vivo da História Candanga. Direção aponta controle de pragas e autorização da Secretaria de Cultura como justificativa.
O Museu Vivo da Memória Candanga enfrenta uma infestação de ratos e dificuldades no controle de resíduos, segundo a gestão do espaço. A diretora, Eliane Falcão, afirma que a infestação de ratos levou à incineração de resíduos em áreas externas. Trabalhadores e frequentadores, no entanto, dizem circular frequentemente pela área e afirmam nunca ter observado a presença de ratos, apenas de outros animais, como saruês. Eles também destacam que a incineração de resíduos é proibida no local, assim como o uso de cigarros nas dependências do museu.
A situação foi identificada por estudantes de jornalismo durante visita ao local, quando resíduos eram incinerados em uma área próxima às construções de madeira que compõem o espaço histórico. Essa conduta pode configurar o crime de poluição previsto no art. 54 da Lei nº 9.605/1998, que integra a legislação penal ambiental brasileira. A incineração de resíduos libera poluentes tóxicos, eleva o risco de incêndios e representa ameaça direta à saúde pública.
Flagrante durante visita
Durante uma visita ao espaço, estudantes de jornalismo identificaram a presença de uma fogueira em área externa, onde funcionários realizavam a incineração de resíduos. Segundo relatos obtidos no local, o material seria proveniente da limpeza do próprio museu.
A prática chamou atenção por ocorrer em um ambiente composto majoritariamente por estruturas de madeira, o que pode representar risco em caso de propagação do fogo.
Posicionamento da gestão
Procurada pela reportagem, a diretora do museu, Eliane, afirmou que a ação ocorreu com autorização dela e da Secretaria de Cultura e foi motivada por questões sanitárias.
“Isso só é feito com a minha autorização. Tem lixo que fica juntando e dando rato”, afirmou.
A gestora também declarou que a iniciativa foi realizada de forma controlada e com conhecimento dos órgãos responsáveis.
Posicionamento da Secretaria de Cultura
Em contraponto, questionada pela reportagem, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF afirmou desconhecer tanto os relatos de infestação de ratos quanto qualquer autorização para a incineração de resíduos — prática que, no âmbito do GDF, envolve a competência de órgãos da política ambiental e de limpeza urbana, como o Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal e o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal.
Relatos apontam cenário diferente do apresentado pela gestão
Versões divergentes
Funcionários ouvidos pela reportagem apresentaram outra versão sobre a situação. De acordo com eles, não há registro recente de infestação de ratos no local.
“Nunca vi rato aqui”, relatou um dos trabalhadores.
Frequentadores que utilizam o espaço regularmente também afirmaram não ter observado o problema.
“A gente anda bastante nessas áreas. Se tivesse, a gente já teria visto”, disse um integrante de grupo que realiza atividades no local.
Alguns relatos mencionam a presença eventual de outros animais, como saruês, mas não de ratos. Foi confirmada também a incineração de resíduos na instituição.
Regras internas e riscos
Trabalhadores destacaram ainda que a incineração de resíduos não é permitida dentro do espaço. Segundo eles, há orientações internas que proíbem esse tipo de prática, inclusive o uso de cigarros nas dependências do museu.
“O que aconteceu, eu não sei se os meninos foram bem orientados, mas eles acabaram queimando o lixo. Aqui não pode queimar nada”, afirmou uma funcionária.
Patrimônio Histórico e Cultural Nacional em risco
Além da restrição, a presença de vegetação e construções de madeira foi apontada como fator de risco para a propagação de incêndios.
O caso ocorre às vésperas do aniversário de Brasília, celebrado em 21 de abril, e levanta questionamentos sobre os procedimentos adotados na conservação de espaços históricos da capital. Em 2015, o museu teve seu tombamento reconhecido em nível federal, com homologação como Patrimônio Histórico e Cultural Nacional.
Hyá Pires e Yasmin Fernandes



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