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Brasília,12/05/2026

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    Com 26 famílias habilitadas por adolescente, DF ainda enfrenta fila de espera por adoção tardia

    Apenas 1,3% das mais de 470 famílias habilitadas tem interesse em adotar adolescentes dos 15 aos 18 anos


    Com 26 famílias habilitadas por adolescente, DF ainda enfrenta fila de espera por adoção tardia Dois adolescentes aguardando na fila de espera da adoção / Gerado por IA

    De acordo com dados recentes (novembro/2025) do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), para cada um dos 18 adolescentes disponíveis para adoção, existe, em média, cerca de 26 famílias habilitadas. Porém, apenas 1,3% das famílias estão de braços abertos para a adoção tardia.


    Por outro lado, cerca de 94% das famílias habilitadas estão em busca de crianças com os mesmos requisitos: até 3 anos, sem irmãos e sem nenhuma deficiência. Segundo dados do TJDFT de 2019 (o mais detalhado publicado), com base nas 137 crianças disponíveis na época, menos de 5% cumpriam os requisitos das famílias habilitadas.


    Em comparação, existem 478 famílias habilitadas para apenas 98 crianças aguardando adoção (maio/2025). À primeira vista, sobram famílias; na prática, sobram adolescentes. Das 98 disponíveis para adoção, 52 têm entre 6 e 14 anos e 18 têm 15 anos ou mais. Das 98, 75 pertencem a grupos de irmãos, e apenas 28 têm até 6 anos, exatamente o grupo que concentra a quase totalidade do interesse das famílias.


    Muitas vezes, as famílias têm certo preconceito em relação à adoção de adolescentes, principalmente por medo do passado, temendo históricos de abandono, negligência e violência. Além disso, há o receio de receber alguém com personalidade, caráter e pensamentos já formados, que pode questionar, resistir ou simplesmente não criar vínculo.


    A busca por um perfil ideal de filho é, na maior parte dos casos, a maior barreira para a adoção tardia.

    Muitos pretendentes permanecem na fila de adoção à espera do "filho ideal", que cumpra todos os requisitos impostos pelos pais adotantes.


    Crescer dentro de instituições de acolhimento sabendo que a chance de adoção diminui a cada aniversário deixa os adolescentes cada vez mais apreensivos sobre o futuro que os aguarda. A instabilidade de vínculos, o trauma do abandono e a ausência de figuras parentais impactam sobretudo o desenvolvimento emocional e social.


    Muitos desses adolescentes chegam a essa fase da vida com defasagem escolar, principalmente pela ausência de acompanhamento individualizado e de um ambiente emocionalmente estável para aprender e se desenvolver. Há também adolescentes que, com o tempo, simplesmente desistem de ser adotados, diante desse preconceito.


    Ao completar 18 anos, esses jovens são desligados dos serviços de acolhimento. A lei permite, em casos excepcionais, a permanência até os 21 anos, mas, na prática, isso raramente acontece. Saem sem uma família de referência, sem a rede de apoio necessária e sem os ensinamentos básicos que a vida adulta exige para se manter financeiramente. Os destinos mais comuns são repúblicas jovens com vagas escassas, situação de rua ou vulnerabilidade extrema.




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