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Brasília,12/05/2026

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    Falta de políticas públicas impulsiona aumento da população em situação de rua em Brasília


    Brasília enfrenta um cenário preocupante, o crescimento da população em situação de rua. A realidade, marcada pela vulnerabilidade social e pela falta de políticas públicas eficazes, tem mobilizado grupos voluntários que tentam amenizar, ainda que de forma limitada, as dificuldades enfrentadas por essas pessoas.



    Aos 47 anos, André Soares atua há mais de cinco anos em um grupo de caridade ligado à igreja. O trabalho, segundo ele, surgiu a partir de um convite e do desejo pessoal de ajudar o próximo. As ações acontecem, em geral, no segundo sábado de cada mês e dependem de fatores como a disponibilidade de voluntários, da cozinha e de doações arrecadadas por meio de grupos de WhatsApp.


    Sem apoio do Estado ou de instituições formais, o grupo organiza a distribuição de marmitas em pontos estratégicos da capital, como a região próxima à Universidade de Brasília, a área da Casa do Clero, o Setor Comercial Sul e a Torre de TV. “Depois da pandemia, o número de voluntários diminuiu bastante, o que dificulta manter as ações com frequência”, relata André.


    Durante as distribuições, ele observa que a maioria das pessoas atendidas são homens, principalmente nas áreas mais centrais da cidade. Já em regiões como a colina da universidade, há maior presença de famílias. A faixa etária predominante varia entre 30 e 50 anos, embora casos mais jovens também chamem atenção.


    Além da fome, André destaca que uma das maiores carências dessas pessoas é o acolhimento. “Muitos querem ser ouvidos. Outros só querem comer e ir embora. Mas todos precisam ser tratados com dignidade”, afirma. Ele também ressalta que há relatos de pessoas em situação de rua que se sentem discriminadas ao receber doações feitas sem cuidado ou empatia.


    Na avaliação do voluntário, os principais fatores que levam alguém à situação de rua são o uso de drogas, o alcoolismo e o desemprego. Histórias vivenciadas durante as ações reforçam essa percepção. Uma delas envolve uma ex-enfermeira do Hospital de Base que perdeu tudo devido à dependência química e, mesmo após tentativas de reintegração familiar, retornou às ruas. Em outro caso, um adolescente foi encontrado em uma área de tráfico, evidenciando como a vulnerabilidade pode atingir diferentes perfis sociais.


    Apesar das limitações, André acredita que as ações ajudam a criar vínculos, especialmente com famílias que permanecem nos mesmos locais. Ainda assim, ele reconhece a dificuldade de promover mudanças mais profundas. “É pesado ver essas situações e não conseguir fazer muito. Mas pequenas ações já fazem diferença”, diz, citando a missionária Madre Teresa de Calcutá: “Não podemos fazer grandes coisas, mas podemos fazer pequenas coisas com um grande amor”.





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