A melodia que desenha a identidade do Samba da Passarinha
Foto: Divulgação Ao celebrar o aniversário de 66 anos, a capital do país reafirma que sua fundação não se limitou à arquitetura de Oscar Niemeyer e ao traço de Lúcio Costa. Projetos como o Samba Passarinha ilustram essa mudança, ao levar o samba de terreiro e a força das vozes femininas para os espaços públicos, esses artistas locais redefinem o que significa celebrar a cidade. Eles mostram que a identidade brasiliense é feita de sotaques misturados, mas com um pé firme no barro vermelho do Cerrado.
Historicamente rotulada como a Capital do Rock, Brasília vive hoje uma transição fascinante para a pluralidade. Se os anos 80 consolidaram o grito de uma juventude urbana, o cenário atual é marcado pela retomada das raízes e pela ocupação democrática. Um dos grupos que marcam isso é o Samba Passarinha, um projeto iniciado por Ana Júlia Melo e Luciana Lobato, conhecida do DJ Libertinha.
Nascido em janeiro de 2024 sob a idealização de Ana Júlia Melo e Luciana Lobato (DJ Libertinha), o Samba da Passarinha ressignifica a utopia modernista de Brasília ao trocar o simbolismo rígido do "avião" pela vivacidade de uma ave fêmea. Composto por sete instrumentistas de referência no DF Ju Rodrigues, Ane Êoketu, Mariana Sardinha, Yara Alvarenga, Bruna Tassy, Irene Egler e Any Lopes , o grupo transforma o concreto da capital em um território de acolhimento e resistência feminina.
O projeto, que já soma 20 edições mensais no AMBAR e passagens por palcos como o Carnaval do Mané e o Festival Convida, afirma-se como um encontro coletivo onde o samba de terreiro e a força das mulheres ocupam o espaço público, provando que a identidade brasiliense pulsa hoje na batida do pandeiro e na celebração da diversidade.
Idealizado por Ana Júlia Melo e Luciana Lobato, o Samba da Passarinha é um manifesto de resistência feminina que ressignifica o concreto de Brasília através do afeto. Com 20 edições até outubro de 2025, o projeto une música e performances de artistas como Dalila e o grupo Refazenda Beats, ocupando espaços que vão do CCBB ao festival Samba Urgente.
Protagonizada por sete instrumentistas de referência, a iniciativa transforma a capital em um território de diversidade, provando que a verdadeira utopia brasiliense se realiza no encontro coletivo e no protagonismo das mulheres.
Por André Pinheiro e Sabrina Andrade



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