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Brasília,12/05/2026

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    Brasília além do concreto: a história esquecida dos candangos negros

    No aniversário da capital, reconhecer o papel dos trabalhadores negros é essencial para compreender as origens, as desigualdades e a construção cultural de Brasília.


    Brasília além do concreto: a história esquecida dos candangos negros Foto: ChatGPT 23/04/2026


     

    No aniversário de Brasília, uma cidade reconhecida
    internacionalmente por sua arquitetura moderna e pelo planejamento urbano
    inovador, vale ir além dos monumentos e lembrar de quem tornou tudo isso
    possível. Há uma parte dessa história que ainda recebe pouca atenção, a participação
    decisiva dos trabalhadores negros na construção da capital. Por muito tempo,
    essas pessoas ficaram à margem dos relatos oficiais, sem o devido
    reconhecimento, apesar de terem sido essenciais para o que Brasília se tornou.

     

    Entre 1956 e 1960, durante a gestão de Juscelino Kubitschek,
    o Brasil passou por um período de mudanças intensas com a criação da nova
    capital. Nesse contexto, milhares de trabalhadores chamados de candangos saíram
    principalmente do Nordeste e foram para Brasília em busca de melhores condições
    de vida. Ao chegarem, porém, se depararam com uma realidade difícil e bem
    diferente do que imaginavam.

     

    Esses trabalhadores não participaram apenas da construção
    dos edifícios. Também deram início às primeiras ocupações ao redor da capital. Áreas
    que mais tarde se transformariam em cidades, como Taguatinga e Ceilândia,
    surgiram a partir desses assentamentos. Esse processo contribuiu para uma
    organização desigual do espaço urbano, cujos efeitos ainda podem ser percebidos
    no Distrito Federal.

     

    Mesmo com toda essa contribuição, a trajetória dos candangos
    negros ainda é pouco destacada em roteiros turísticos e narrativas
    institucionais. Em muitos locais simbólicos, o foco costuma estar na
    arquitetura ou na política, enquanto as vivências de quem construiu a cidade
    acabam ficando em segundo plano.

     

    A ausência de reconhecimento também aparece nas homenagens.
    A escultura “Os Candangos”, localizada na Praça dos Três Poderes, faz
    referência a esses trabalhadores, mas não representa plenamente a diversidade
    de experiências envolvidas. Ao mesmo tempo, figuras individuais seguem
    recebendo mais visibilidade do que o esforço coletivo.

     

    Nos últimos anos, algumas ações têm buscado resgatar essa
    memória. Espaços como o Museu Vivo da Memória Candanga reúnem relatos, objetos
    e histórias desses trabalhadores, contribuindo para uma compreensão mais ampla
    do passado.

     

    Mais do que trabalhadores, essas pessoas tiveram papel
    importante na formação cultural de Brasília. Muitas práticas e tradições
    trazidas por elas continuam presentes nas regiões periféricas do Distrito
    Federal, ainda que nem sempre valorizadas.

     

































    Diante disso, o aniversário da capital pode ser visto não
    apenas como um momento de celebração, mas também de reflexão. Reconhecer a
    contribuição da população negra na construção de Brasília é fundamental para
    entender a cidade de forma mais completa 
    não só como símbolo de modernidade, mas como resultado de processos
    marcados por desigualdades e resistências que permanecem até hoje.




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