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Brasília,12/05/2026

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    Entre o concreto e o Cerrado: a luta pela sobrevivência da fauna e flora em Brasília


    Entre o concreto e o Cerrado: a luta pela sobrevivência da fauna e flora em Brasília Capitão Hugo Batista, chefe da seção de Operações do Grupamento de Proteção Ambiental do CBMDF (arquivo pessoal).

    Brasília, no coração do Cerrado, considerado o
    bioma savânico mais biodiverso do mundo, abriga uma rica variedade de fauna e
    flora que resiste, cada vez mais, à pressão do crescimento urbano e às ameaças
    ambientais. Entre espécies típicas e paisagens únicas, o Distrito Federal vive
    o desafio de equilibrar desenvolvimento e preservação.

    A vegetação do Cerrado é marcada por árvores de
    troncos retorcidos, gramíneas e uma enorme diversidade de plantas com potencial
    medicinal e alimentício. Já na fauna, animais como o lobo-guará, o
    tamanduá-bandeira e diversas aves encontram refúgio em áreas de conservação e
    parques ecológicos espalhados pelo DF.

    No entanto, esse patrimônio natural enfrenta
    riscos crescentes. A expansão urbana tem reduzido habitats e aproximado animais
    silvestres das áreas residenciais. O resultado são aparições cada vez mais
    frequentes desses animais em regiões urbanizadas, muitas vezes em situação de
    vulnerabilidade.

    Outro fator crítico são as queimadas,
    especialmente durante o período de seca. O Corpo de Bombeiros Militar do
    Distrito Federal, CBMDF, atua na linha de frente no combate aos incêndios
    florestais, que não apenas destroem a vegetação, mas também afetam diretamente
    a sobrevivência de inúmeras espécies.

    Segundo o Capitão Hugo Batista, chefe da seção de
    Operações do Grupamento de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros Militar do
    Distrito Federal, CBMDF, “do ponto de
    vista ambiental, o principal vetor de ignição e propagação está relacionado ao
    regime climático do Distrito Federal, caracterizado por um período seco
    prolongado entre abril e outubro. Durante esse intervalo, observa-se baixa
    precipitação, elevadas temperaturas e queda acentuada da umidade relativa do
    ar, criando um ambiente altamente favorável à ocorrência de incêndios
    ”.


    Segundo a corporação, os meses mais secos do ano
    concentram a maior parte das ocorrências. Além da perda de áreas verdes, o fogo
    provoca a morte de animais, destrói ninhos e compromete o equilíbrio do
    ecossistema.

    Foram
    realizadas 13 perícias de incêndios florestais, distribuídas em regiões como
    Planaltina, Paranoá, Sobradinho, Jardim Botânico e Lago Sul. As maiores
    ocorrências em área queimada concentraram-se em locais como: • Área Alfa (até
    354 hectares queimados); • Planaltina (região do Colégio Agrícola); • Lago Sul
    (Setor de Mansões Dom Bosco). Esses dados indicam que as áreas mais afetadas
    correspondem tanto a zonas rurais quanto regiões periurbanas, onde há acúmulo
    de material combustível e maior incidência de ignições
    ”, explica o Capitão.

    No
    contexto das unidades de conservação, destaca-se a ocorrência relevante na
    Floresta Nacional de Brasília, FLONA. Com incêndio que atingiu 112 hectares,
    demonstrando a vulnerabilidade de áreas protegidas. Assim, observa-se que o
    padrão espacial dos incêndios no Cerrado brasiliense está associado à
    combinação entre: pressão antrópica, características da vegetação e condições
    climáticas locais, conclui o Capitão da corporação.

     

    Do ponto de vista da
    flora, a recorrência de incêndios durante o período crítico de estiagem
    compromete a estrutura da vegetação. O relatório evidencia que o ambiente seco,
    aliado às altas temperaturas e baixa umidade, favorece incêndios de maior
    intensidade e extensão, resultando em grandes áreas queimadas, como demonstrado
    pelas ocorrências superiores a 300 hectares.

    Essa dinâmica implica:
    perda de cobertura vegetal, degradação do solo e comprometimento da regeneração
    natural, especialmente quando os incêndios são frequentes.

     

    O Capitão alerta que “a ocorrência de incêndios em áreas como a
    FLONA reforça que nem mesmo áreas protegidas estão imunes, sendo afetadas por
    fatores externos e condições climáticas severas. Adicionalmente, os impactos
    extrapolam o meio natural, atingindo a sociedade por meio de degradação da
    qualidade do ar, aumento de riscos à saúde pública e necessidade de mobilização
    intensiva de recursos operacionais
    ”.

     

    Os incêndios extensos
    registrados na FLONA e no Parque Nacional de Brasília constituem exemplos
    paradigmáticos da complexidade do combate a incêndios florestais no Cerrado.
    Enquanto a FLONA evidencia os efeitos devastadores da propagação descontrolada
    do fogo, com comprometimento de grande parte da unidade, o caso do PNB
    demonstra que a atuação rápida, coordenada e tecnicamente estruturada pode
    reduzir significativamente os danos ambientais, mesmo diante de eventos de
    grande escala.

     

    Dessa forma, os dados
    analisados reforçam a necessidade de fortalecimento contínuo das ações da
    Operação Verde Vivo, especialmente no que se refere à prevenção, ao
    monitoramento e à resposta imediata em áreas ambientalmente sensíveis,
    garantindo a proteção do bioma Cerrado e de suas unidades de conservação
    estratégicas.

    A Secretaria do Meio Ambiente do Distrito Federal,
    SEMA, por meio da sua Assessoria de Comunicação, ASCOM, afirma que tem
    intensificado ações de monitoramento e prevenção. Entre as iniciativas estão o
    uso de tecnologias para detectar focos de incêndio, campanhas de
    conscientização e projetos de recuperação de áreas degradadas. A Secretaria informa
    também que os principais desafios ambientais hoje são: A crise climática, o desordenamento
    territorial, a perda de habitats e da biodiversidade e a geração de resíduos no
    planeta.

    Questionada sobre
    projetos de recuperação de áreas degradadas, a assessoria de comunicação
    informou que o
    Instituto Brasília Ambiental e a Secretaria de
    Agricultura do Distrito Federal, Seagri-DF, firmaram um Acordo de Cooperação
    Técnica com foco na regularização ambiental de pequenas propriedades rurais no
    território brasiliense. A iniciativa, que terá duração de 51 meses, busca
    reforçar a implementação do Programa de Regularização Ambiental, PRA, e
    recuperar aproximadamente 38 mil hectares de áreas protegidas, conforme dados
    declarados no Cadastro Ambiental
    Rural, CAR.
    https://www.ibram.df.gov.br/w/governo-do-df-firma-acordo-para-regularizar-propriedades-rurais-e-recuperar-areas-degradadas

    O projeto Recupera Cerrado II, com execução em 18 meses com
    investimento de R$3,8 milhões, recursos resultantes de compensação florestal
    vinculada ao Funam. Com essas iniciativas, o Governo do Distrito Federal já
    acompanha mais de 307 hectares de Cerrado em processo de recomposição desde
    2019.
    https://www.sema.df.gov.br/w/edital-de-r-38-milhoes-preve-manutencao-e-monitoramento-de-areas-em-recuperacao-no-cerrado.

    O projeto se encontra na fase final para assinatura dos documentos que
    possibilitam seu início de execução.

    A Instrução normativa N°32/2020 publicada pelo Instituto Brasília
    Ambiental:

         
    Estabelece o Rito Processual para a Autorização
    de Supressão de Vegetação, Compensação Florestal e dá outras providências.

    Dessa forma, existem Termos de Compensação Florestal assinados junto ao
    Instituto Brasília Ambiental voltados à recuperação/recomposição e reabilitação
    de áreas, carecendo de consulta formal ao órgão para mais informações.

    De acordo com o
    órgão, a participação da população é essencial para a preservação do Cerrado.
    Denúncias de queimadas ilegais, respeito às áreas de proteção e o cuidado com o
    descarte de resíduos são medidas fundamentais para reduzir os impactos
    ambientais.

    Orientamos
    a população a p
    articipar de audiências e consultas públicas,
    especialmente sobre novos licenciamentos de atividades potencialmente
    poluidoras e criação de unidades de conversação; informando-se mais sobre a
    legislação ambiental, a organização, o papel dos órgãos ambientais na
    administração pública, para direcionar melhor as demandas; informando-se mais
    sobre preservação e conservação ambiental e saúde única.

    Apesar dos desafios, Brasília ainda mantém
    importantes áreas preservadas que garantem a sobrevivência de parte
    significativa da biodiversidade do Cerrado. A manutenção desse equilíbrio, no
    entanto, depende de políticas públicas eficazes e do engajamento coletivo.































































    Em meio ao crescimento da capital, a preservação
    da fauna e da flora não é apenas uma questão ambiental, mas também um
    compromisso com o futuro. 

    Por Anaiara Reges Ribeiro e João Felipe Reges Vieira.





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