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Brasília,12/05/2026

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    Creches Domiciliares: projeto social esquecido do DF que ajudou diversas mulheres e crianças

    Arquivos Públicos do Distrito Federal
    Creches Domiciliares: projeto social esquecido do DF que ajudou diversas mulheres e crianças Foto: Fundação do Serviço Social em Planaltina/ Fonte: Arquivo Público do Distrito Federal

    Projeto de Assistência do Pré-Escolar Carente (PROAPEC) foi um projeto da Fundação dos Serviços Sociais Do Distrito Federal (FSSDF) em convênio com a Fundação das Pioneiras Sociais que ajudou diversas famílias nas cidades satélites de Brasília com as Creches Domiciliares, mas os dados sobre esse projeto tem sido alvo de dificuldades por parte de quem tem interesse em relatar a história.


    Milena foi responsável por uma das primeiras pesquisas a respeito das chamadas "mães crecheiras", mulheres que disponibilizavam suas casas para que mães vizinhas deixassem seus filhos e fossem trabalhar nas cidades satélites de Brasília na década de 1980, lugares em que as creches não existiam e a população precisava ter cargas de trabalho acima do normal devido a pobreza. Decidindo fazer seu Trabalho de conclusão de curso (tcc) sobre o assunto com o conhecimento inicial de que sua avó foi uma dessas mães crecheiras, a jornalista Milena Dias Correia(?) teve que entrevistar conhecidos e desconhecidos de sua família, na tentativa de montar os fatos acerca da iniciativa das creches domiciliares.

    A tarefa não foi fácil, diversas pessoas entrevistadas não se lembravam dos acontecimentos acerca das creches domiciliares. Mesmo assim, Milena conseguiu perceber que a atividade era regulamentada: havia um limite de crianças, e as cuidadoras recebiam um salário mínimo e cestas básicas. Se lembravam também de que quem monitorava as atividades e as davam apoio eram mulheres do chamado "Centro de Desenvolvimento Social" (CDS). Entretanto, isso não foi suficiente para o encontro de fontes sobre essa tal regulamentação. 



    Foto: Centro de Desenvolvimento Social do Gama, 1964 ~ 1965/ Fonte: Arquivo Público do Distrito Federal


    Para Milena e diversos outros pesquisadores, esse foi o maior desafio em seu trabalho: encontrar onde estariam informações oficiais sobre as mães crecheiras. Procurou a secretaria de educação, os arquivos públicos do distrito federal, mas nada relacionado aos relatos das mulheres entrevistadas foi encontrado. 

    Isso não impediu a conclusão de seu tcc com sucesso, mas deixou a curiosidade me aberto Segundo Milena, esse era um projeto que escancarou a desigualdade social e de gênero em Brasília, com uma importância singular para a capital do Brasil.

    A apuração desta reportagem, iniciada a partir da busca de creches domiciliares pelo Brasil, revelou que em Santa Catarina (SC), um projeto semelhante foi iniciado em seus municípios no ano de 1983, o Pró-Criança. Nos documentos de registro do início da proposta é citada a inspiração com o projeto que foi realizado em Brasília, a qual a extinta Fundação do Serviço Social do Distrito Federal (FSSDF), órgão da Secretaria de Serviços Sociais do Distrito Federal (SSSDF), orientou o Estado de Santa Catarina na implementação das creches domiciliares. 

    A informação de que a FSSDF estava ligada aos funcionamentos das creches foi crucial para a identificação dos CDS, que, segundo alguns Diários Oficiais do Distrito Federal (DODFs) da época, estes eram órgãos dentro da Fundação que tinham como objetivo levantar dados, manter e administrar os projetos. No entanto, a Fundação, que foi criada em 1961, foi extinta em 2000, e o paradeiro dos dados oficiais acerca do projeto, seguem em mistério. 


    A apuração da reportagem também revelou a participação em convênio com a FSSDF da Fundação das Pioneiras Sociais, atualmente Associação das Pioneiras Sociais. De acordo com Milena, as mães crecheiras que relataram sobre o projeto demonstraram carinho às lembranças de que o projeto era 100% envolto por mulheres, o que torna o projeto tão importante para a discussão da desigualdade de gênero. Segundo a apuração, acredita-se que tal lembrança venha da participação ativa das Pioneiras, que intitularam o projeto das creches domiciliares de PROAPEC - Projeto de Assistência ao Pré-escolar Carente. 

    A Fundação das Pioneiras Sociais, fundada por Sarah Kubitschek, é conhecida pelo pioneirismo de assistência às mulheres, especialmente na prevenção e combate ao câncer de mama no início de Brasília, mas também na luta por creches para o apoio à mulher trabalhadora. Como as cidades satélites eram as mais afetadas pela desigualdade social, a Fundação e o PROAPEC atuavam principalmente no Gama, Planaltina, Sobradinho e Ceilândia, porém os detalhes dessa atuação são desconhecidos.

    Com o conhecimento da origem das mães crecheiras, tornou-se mais fácil procurar dados que possam mensurar os impactos de tal projeto em Brasília na década de 80, no entanto, até a publicação desta reportagem, não foi obtida respostas da Secretaria de Desenvolvimento Social, Associação das Pioneiras sociais, Arquivos Públicos do Distrito Federal e da Secretaria de Educação. 





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