O Crescente e recente Papel das mulheres no Corpo de Bombeiros!
Em nossa atualidade, é praticamente comum pensarmos que há
mulheres atuando em serviços públicos de proteção, como na Polícia Militar,
Polícia Civil, nas Forças Armadas e exclusivamente no Corpo de Bombeiros.
Entretanto, o que poucos sabem é que a presença de mulheres no Corpo de
Bombeiros, seja civil ou militar, é algo parcialmente recente. Tendo iniciado
uma série de ingressões no início da década de 90.
Não há um ano exato descrito como ‘o primeiro a haver
mulheres na corporação’, pois a presença de mulheres na profissão variou de
acordo com cada estado. No Distrito Federal, a primeira ingressão de mulheres ocorreu
em 1993, São Paulo em 1991 e Pernambuco em 2004 por exemplo. A constituição de
1988 era uma reforma recente, como havia pouco tempo do término da Ditadura
Militar, assuntos como Direitos Humanos e paridade eram limitados, com isso as
primeiras mulheres nas corporações foram as protagonistas das mudanças necessárias
para uma relação de igualdade de gênero.
Cristiane Fernandes, coronel e presidente da primeira turma
de oficiais do CBMDF, é uma grande testemunha da trajetória do papel das
mulheres no Corpo de Bombeiros, ela foi pioneira em desenvolver as políticas
para as bombeiras militares contando com o apoio do Conselho LIGABOM.
“Só fomos entender o que estava acontecendo dez anos
depois, pois já se falava sobre o que é a mulher dentro de uma instituição, mas
até então não tínhamos essa noção. Os desafios foram múltiplos, éramos 43
mulheres em um universo de quase cinco mil homens, um ambiente totalmente masculinizado,
machista sobre medida e tentávamos sobreviver.” Declarou Cristiane.
As mulheres bombeiras, desde 2017, vem realizando Encontros
Nacionais que ajudam a expressar suas propostas de trabalho, entre as mais
vitais no sentido de gênero, políticas contra o assédio moral, sexual e contra
a violência contra a mulher. Já faz 30 anos que a presença de mulheres no Corpo
de Bombeiros tornou-se concreta e as veteranas da primeira geração carregaram o
objetivo de fixar uma instituição. O próximo encontro está previsto para ocorrer
no dia 20 de maio deste ano em Rio Branco, no Acre.
O Estereotipo
Bombeiros em geral contém o estigma de realizarem o apagamento
de incêndios. Apenas. Entretanto, suas ações são necessárias em casos de desmoronamentos
e podem até socorrer pessoas em estado de emergência. Como é o caso da técnica
de enfermagem Carla Ferreira Soares, que já ficou encarregada de transportar uma
criança de Taguatinga para fazer um exame de tomografia.
Carla entrou para o Corpo de Bombeiros em 20 de abril de 1996,
em um período quase contemporâneo de Cristiane. Entretanto, seu depoimento apresentou
poucas evidências a respeito de não haver igualdade de gênero na profissão,
embora a diferença de aptidão física seja inegável.
“Nós mulheres não temos a força física que um homem tem,
mas quando fazemos o curso, a formação é igual! Então não há discriminação, se
há socorro, exercemos o mesmo papel dos homens, claro que terão materiais que
para nós é muito pesado, mas nós manipulamos e operamos da mesma forma como os
homens.”
Carla admitiu as dificuldades ‘culturais’ que vivenciou
nos primeiros anos por conta da presença de poucas mulheres, mas que nos tempos
atuais as mulheres já estão presentes em todos os quarteis e que já há direitos
por lei como a própria licença maternidade. Carla declarou ter passado por
duros desafios ao tentar se adaptar ao treinamento considerando que veio da
área de saúde, mas mesmo tendo que ter feito grandes esforços, afirmou nunca
ter se sentido coagida ou presenciado infrações que violam a igualdade.




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