Bate papo discute centralidade feminina nas artes visuais
Roda de conversa na exposição de Tarsila do amaral no TCU debate apagamento e importância das mulheres no meio das artes
Foto por: Gabriela Cidade Por Lais Cornils
As pesquisadoras Fran Favero, Maria do Carmo Couto com a mediação de Juliana Insua questionaram ao longo da conversa o papel da mulher no movimento pré e pós modernista. O assunto mais proeminente da discussão foi o apagamento histórico e mecânico da figura feminina dos espaços de artes, com foco na Tarsila, tema da exposição que está em cartaz do dia 11/03 à 10/03 no centro cultural do Tribunal de contas da União
A exposição traz o protagonismo de Tarsila no movimento modernista brasileiro e na sua própria vida, celebrando sua arte e visão de transbordamento do mundo. Conforme fala a palestrante Fran Favero:
“ E de fato o meu argumento aqui hoje é que a arte brasileira tem um legado fundamentalmente inegável e central de mulheres artistas, a nossa arte brasileira é feminina em essência, importância e protagonismo”
Sub-representação
A curadora Fran Favero destaca como as obras femininas são menos expostas em museus e curadorias independentes e quais os meios a se lutar contra o movimento mecânico de apagamento das mulheres da cultura Brasileira e exterior:
“Essa retomada da trajetória dessas mulheres é muito recente e está em processo ainda principalmente quando nós levamos em conta as instituições né isso sobretudo a obra de Tarsila … passou a integrar o acervo do Museu de Arte Moderna só em 2019. e Anita Malfatti ainda não está no acervo do MoMa …é um espaço de validação importante, não interessa, grandes artistas como essas deveriam sim estar na coleção de arte latino-americana, anti-imperialista dessa instituição.”
Os dados quando se fala sobre a ausência das artistas mulheres na instituição é altamente expressivo:
No Museu Nacional da República, apenas 20% do acervo é composto por obras de mulheres, e só 10% do total de obras
No MASP, em 2017, apenas 6% dos artistas em exposição eram mulheres — enquanto 60% dos nus representados eram femininos, (guerrilha girls)
O MI só dedicou um ano inteiro à produção feminina em 2019, com "Histórias das Mulheres, Histórias Feministas" o que nunca tinha sido feito no Brasil antes.
Formas de apagamento histórico
Quando as palestrantes foram questionadas pela mediadora do debate, Juliana, as duas citaram alguns exemplos de como foi reduzida a importância de algumas dessas artistas e de como algumas foram dadas como silenciadas.
Um dos grandes destaques é como as narrativas hegemônicas que são ditadas por lentes masculinas excluem diversas artistas. Desde a foto mais famosa da semana de 22 só conter os homens que fizeram parte, até o fato de que a própria foi muito elitista, a compra da coleção privada de Mário de Andrade pelo governo de São Paulo, por exemplo, moldou o que entrou nos acervos públicos como "modernismo oficial".
Outro ponto que vale a pena ser destacado é a falta de documentos históricos, registros, fotos e obras de artistas mulheres.
“ A gente precisaria ter um acesso maior às reservas com o financiamento de pesquisa. A gente precisa escrever mais sobre a história do Brasil, que é uma coisa que vale a pena sim, né incentivo que se pesquisem porque a gente vai descobrir coisas sobre a gente (...).”
Caminhos para reparação e visibilidade
As palestrantes apontaram estratégias em diferentes frentes:
Educadores devem ir além do material didático tradicional e incluir essas referências em sala de aula
Gestores de instituições precisam fazer levantamentos críticos de seus acervos e propor ações de ampliação
Curadoria comprometida — criar memória sobre exposições (catálogos, sites, registros) para que não sejam apenas eventos pontuais
Pesquisa acadêmica — Pesquisa sobre livros importantes sobre as mulheres nas artes como Mulheres Modernistas (Simone) e Elogio ao Toque (Roberta Barros)
Redes sociais e plataformas digitais — Seguir perfis no Instagram e sites dedicados à divulgação de mulheres artistas como ação complementar



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