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Brasília,12/05/2026

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    Bate papo discute centralidade feminina nas artes visuais

    Roda de conversa na exposição de Tarsila do amaral no TCU debate apagamento e importância das mulheres no meio das artes


     Bate papo discute centralidade feminina nas artes visuais Foto por: Gabriela Cidade

    Por Lais Cornils


    As pesquisadoras Fran Favero, Maria do Carmo Couto com a mediação de Juliana Insua questionaram ao longo da conversa o papel da mulher no movimento pré e pós modernista. O assunto mais proeminente da discussão foi o apagamento histórico e mecânico da figura feminina dos espaços de artes, com foco na Tarsila, tema da exposição que está em cartaz do dia 11/03 à 10/03 no centro cultural do Tribunal de contas da União

    A exposição traz o protagonismo de Tarsila no movimento modernista brasileiro e na sua própria vida, celebrando sua arte e visão de transbordamento do mundo. Conforme fala a palestrante Fran Favero: 

    E de fato o meu argumento aqui hoje é que a arte brasileira tem um legado fundamentalmente inegável e central de mulheres artistas, a nossa arte brasileira é feminina em essência, importância e protagonismo

    • Sub-representação

    A curadora Fran Favero destaca como as obras femininas são menos expostas em museus e curadorias independentes e quais os meios a se lutar contra o movimento mecânico de apagamento das mulheres da cultura Brasileira e exterior:

    Essa retomada da trajetória dessas mulheres é muito recente e está em processo ainda principalmente quando nós levamos em conta as instituições né isso sobretudo a obra de Tarsila …  passou a integrar o acervo do Museu de Arte Moderna só em 2019. e Anita Malfatti ainda não está no acervo do MoMa …é um espaço de validação importante, não interessa, grandes artistas como essas deveriam sim estar na coleção de arte latino-americana, anti-imperialista dessa instituição.”

    Os dados quando se fala sobre a ausência das artistas mulheres na instituição é altamente expressivo:

    No Museu Nacional da República, apenas 20% do acervo é composto por obras de mulheres, e só 10% do total de obras

    No MASP, em 2017, apenas 6% dos artistas em exposição eram mulheres — enquanto 60% dos nus representados eram femininos, (guerrilha girls)

    O MI só dedicou um ano inteiro à produção feminina em 2019, com "Histórias das Mulheres, Histórias Feministas" o que nunca tinha sido feito no Brasil antes.

    • Formas de apagamento histórico 

    Quando as palestrantes foram questionadas pela mediadora do debate, Juliana, as duas citaram alguns exemplos de como foi reduzida a importância de algumas dessas artistas e de como algumas foram dadas como silenciadas.

    Um dos grandes destaques é como as narrativas hegemônicas que são ditadas por lentes masculinas excluem diversas artistas. Desde a foto mais famosa da semana de 22 só conter os homens que fizeram parte, até o fato de que a própria foi muito elitista, a compra da coleção privada de Mário de Andrade pelo governo de São Paulo, por exemplo, moldou o que entrou nos acervos públicos como "modernismo oficial". 

    Outro ponto que vale a pena ser destacado é a falta de documentos históricos, registros, fotos e obras de artistas mulheres. 

    “ A gente precisaria ter um acesso maior às reservas com o financiamento de pesquisa. 
A gente precisa escrever mais sobre a história do Brasil, que é uma coisa que vale a pena sim, né incentivo que se pesquisem porque a gente vai descobrir coisas sobre a gente (...).”

    •  Caminhos para reparação e visibilidade

    As palestrantes apontaram estratégias em diferentes frentes:

    • Educadores devem ir além do material didático tradicional e incluir essas referências em sala de aula

    • Gestores de instituições precisam fazer levantamentos críticos de seus acervos e propor ações de ampliação

    • Curadoria comprometida — criar memória sobre exposições (catálogos, sites, registros) para que não sejam apenas eventos pontuais

    • Pesquisa acadêmica — Pesquisa sobre livros importantes sobre as mulheres nas artes como Mulheres Modernistas (Simone) e Elogio ao Toque (Roberta Barros)

    • Redes sociais e plataformas digitais — Seguir perfis no Instagram e sites dedicados à divulgação de mulheres artistas como ação complementar




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