Resiliência dentro e fora de campo: a luta do futebol feminino por espaço
Mesmo com os avanços dos últimos anos, o futebol feminino ainda enfrenta desafios relacionados à desigualdade de gênero e à falta de visibilidade do futebol feminino, diferentemente do futebol masculino.
Um dos pontos que mais afetou essa desigualdade foi a Era da Proibição em 1949 e 1979, que proibia mulheres de jogar futebol no Brasil por ser considerado "incompatível com a natureza feminina". Sobre a desigualdade Tatiana Antônia, bi campeã olímpica, falou:
“A maioria dos times femininos que existem hoje porque são obrigados, se não tivesse essa obrigação não teria, estamos a um ano da copa do mundo aqui no Brasil mas ainda estamos caminhando para a igualdade. Acho que o maior problema é a falta de interesse mesmo.”
O técnico Luiz Victor Queiroga,técnico do Cresspom, completou:
“A dificuldade mesmo é interesse, a justificativa deles é a falta de retorno mas o não retorno é a falta de investimento, a justificativa não cobra a resposta que eles tentam dar, como aqui equipes que nem disputam campeonatos nacionais no masculino tem estrutura e investimento maiores que um clube da A3 que é bizarro. Temos uma copa do mundo feminina que vai vir para o Brasil eu garanto que o investimento vai vim para clubes masculinos que não tem ligação nenhuma com o futebol feminino.”
O futebol feminino ainda encontra diversas dificuldades, pela sociedade e pela mídia, quais mudanças ainda são necessárias para diminuir essas objeções? A Tatiana Antônia disse:
“A mídia dá mais credibilidade, antigamente a Band, a Record, existiam vários lugares que apoiavam o futebol feminino, quando a gente acha meio de ajudar os canais lá de cima querem cortar. Quando a Globo quer transmitir o feminino, por exemplo, só querem final, porque uma coisa é pegar o primeiro e segundo jogo de um campeonato e outra a semifinal e final, ai a gente é muito julgada quando mostra uma semifinal e perde de dois ou três gols e desvaloriza o nosso trabalho, essa hipocrisia do esporte brasileiro que tem que ser quebrada.”
O Luiz Victor completou sobre o mesmo tema:
“Primeiro quebrar algumas objeções desde a base até as equipes profissionais, começa com a capacidade das mulheres, por exemplo desvalorizam o futebol feminino, aí eu lembro quando me peguei vendo um Vasco x Bahia pela série A jogo horroroso, senti perdendo o meu tempo vendo esse jogo, e eu vejo com tanto jogos do futebol feminino que são tão legais de assistir, e fico me perguntando as pessoas que tem esse preconceito com o futebol feminino gostam de futebol ou não gostam de mulheres? Outro ponto que tem que quebrar é o preconceito que o conservadorismo brasileiro tem sobre as mulheres, que de novo começa lá de baixo, os meninos desde pequenos vem com esse preconceito lá na base mas hoje vem mudando desde pequenos, e claro a falta de políticas afirmativas, porque ninguém quer perder o privilégio que tem o masculino.”
Qual mensagem vocês deixariam para a próxima geração que querem ter o mesmo sonho de vocês? A tatiana Antônia disse:
“Acho que não só futebol, mas em toda modalidade, né? Tem muita resiliência para qualquer modalidade feminina, não só no futebol no Brasil, mas qualquer modalidade. Resiliência, coragem, tem que ter coragem, né? E acho que é isso, resiliência e coragem. Fazer qualquer modalidade no Brasil, feminina.”
A atleta do Cresspom, Ariane Dias, completou:
“Pode até ser difícil, principalmente quando não tem o apoio da família, mas não conte com o apoio não. Ocupar todo o espaço que vier, porque às vezes a gente fica se perguntando como, né? Fica buscando o como, o que eu faço, como eu chego. Só bota o passo que o como vai aparecendo no caminho, então é isso, não espere apoio, não espere, ah se vier vai ser um a mais, ótimo, que bom, obrigado, bora pra cima, mas não espere e vá que o como aparece”
Assinam:
André Pinheiro e Sabrina Andrade



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